CARLOS WAGNER

Carlos Wagner, 59 anos, é repórter. Há três décadas anda pelos rincões em busca de personagens que, por discordarem da cruel realidade que os cerca, se revoltam e lutam pelo que julgam o justo. É o caso de João Machado dos Santos, o João Sem Terra, um intrépido líder campesino que foi colocado na clandestinidade pelos militares. Os brasiguaios, as centenas de agricultores brasileiros que migraram para o Paraguai à procura de terra. O relato das mães de meninas indígenas prostituídas pelas lideranças das tribos, no Rio Grande do Sul. Também narrou a história dos bandoleiros que formaram um País Bandido, entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai, onde a pistola é lei. Durante a Guerra Civil Angolana, andou pelas trincheiras e pelos hospitais daquela carnificina na África. Essas andanças renderam oito livros, entre eles O Brasil de Bombachas, que conta a saga de agricultores miseráveis gaúchos que arriscaram o pouco que tinham para colonizar o Oeste do Brasil. Um trecho do livro faz parte da Arte da Reportagem, obra que reúne as maiores reportagens publicadas no país, organizada por Igor Fuser. Obteve 38 prêmios de jornalismo, entre eles sete Essos Regionais. O interesse pelos rincões foi despertado durante o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).